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Civilidade

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Banzai! ( Viva! )

A palavra banzai costuma evocar, em muitos ocidentais, o passado militarista do Japão do período da Segunda Guerra. Uma cena típica que povoa a cabeça de muitas pessoas, graças a inúmeros filmes sobre a guerra, é a de um piloto suicida, com um sol nascente desenhado numa tira de pano atada à cabeça, lançando resolutamente seu avião contra um navio inimigo depois de gritar banzai!

Ainda hoje, o banzai com esta acepção figura entre os termos que soam mais familiares para os que desconhecem a língua japonesa, ao lado de palavras como kamikaze e harakiri. Muitos ocidentais que associam o banzai a um grito de guerra ficariam surpresos se descobrissem que esta palavra tem originalmente um significado benigno e pacifista. É um vocabulário utilizado para desejar longa vida ("tomara que você viva dez mil anos") e prosperidade.

Antigamente, pronunciava-se esta palavra como banzei. Era um termo utilizado como interjeição ou exclamação, sendo empregado não somente como uma manifestação de triunfo quando se vencia uma batalha, mas também para desejar longa vida ao imperador e à nação, ou para agradecer aos céus por uma chuva tão aguardada.

Modernamente, consta que foi um estudante universitário quem primeiro gritou a palavra banzai com a intenção de dar vivas ou urras. Foi durante uma imponente cerimônia de promulgação da Constituição japonesa de 1889, no Período Meiji.

A comunidade japonesa no Brasil também adotou o costume de gritar banzai três vezes durante ocasiões festivas. Seu sentido é totalmente pacifista, similar ao do "viva" em português.

De volta ao Japão, ainda é possível observar, nas plataformas das estações de trem, o curioso espetáculo de um grupo de funcionários de uma empresa gritando banzai para se despedir e desejar sorte a um colega que foi promovido e transferido para outra cidade.

Sakê

A bebida alcoólica está presente desde a antiguidade. Conta-se que no Egito, há 5 mil anos, Deus Osíris concedeu às pessoas o conhecimento sobre a cerveja. Na mitologia japonesa também temos as divindades Ookuninushi no mikoto e sukuna hikona no mikoto como Deuses do Sakê. Diz a história que, na segunda metade do século oito, foram admitidos em Heiankyo (atual Kioto) os encarregados de produzir sakê para o Palácio Imperial.

O sakê era uma importante oferenda nas atividades religiosas e com isso surgiu o costume de saboreá-lo nestas ocasiões. Também foi muito utilizados em festividades ligadas à agricultura, em casamentos e despedidas. O sakê refinado tornou-se popular na Era Edo, segunda metade do século 18, e seu consumo anual foi de 1,8 milhão de tonéis, sendo que a população de Edo era de 1 milhão de pessoas. Isto implica em um consumo diário de 541,11cm³ por habitante.

Para produzir uma sakê refinado de bom sabor é necessário um arroz de qualidade, boa água, tonel também de boa qualidade como o fabricado com o pinheiro de Yoshino, um competente especialista em fabricação, temperatura propícia para a fermentação, entre outras condições. Por isso, desde a Era Edo já eram famosos os Kikumasam une de Nada (atual província de Hyogo) e Gekkeikan de Fushimi (Kioto).
Há dois tipos de sakê refinado: o karakuchizakê (sakê seco com teor alcoólico acima de dois graus) e o amakuchizakê (sakê doce). Dizem que em épocas de prosperidade, proporcionalmente à estabilidade do momento, a preferência recai sobre o karakuchi, cujo paladar não cansa o consumidor e, em épocas de recessão, passa a ser maior a procura por amakuchi, que traz saciedade com uma quantidade menor.
Parece que atualmente o amakuchizakê está em alta. Indispensável nas festividades e nas horas de lazer, o sakê era também apreciado nos comes e bebes nas plateias, durante a apresentação de teatros como o Kabuki. Inclusive hoje, os assalariados se dirigem após o expediente para beber em bares e barracas ambulantes para dissipar o estresse gerado no trabalho.

O número de mulheres que apreciam sakê também tem crescido a cada dia, inclusive sabe-se que há cada vez mais mulheres que bebem em casa, as denominadas "Kichen dorinkaa" (as que bebem na cozinha).

No Brasil, com a difusão da culinária japonesa, tem aumentado o número de brasileiros que degustam o masuakê (sakê em copo quadrado) para acompanhar sushi ou sashimi. Parece que o atsukan (sakê aquecido) ainda não entrou na moda.
Dizem que a bebia alcoólica é o melhor dos remédios e , atualmente, com a informação de que o polifenol contido nos vinhos traz benefícios para a saúde, sua venda aumentou bruscamente; especialmente a importação de vinhos franceses.

Veja também:

• Comida • Comportamento • Compras • Banheiro • Lugares Públicos